
Este caso verídico de um preletor (espécie de professor) relatado no livro “O amor tudo cura” de Seicho Taniguchi, me comoveu! Sempre acreditei que pequenos e imprevistos gestos podem mudar uma situação para melhor, ou para pior.
O SAPATO DE VERNIZ
O Sr. Ei-ichi Yokoo, que era preletor da Sede Internacional lotado na cidade de Miyazaki, comprou um belo par de sapatos de verniz pagando oito mil ienes, quando ainda era um adepto recente. Ao mostrá-lo à esposa, esta disse:- Um calçado chique assim não é adequado para se usar aqui no interior!
Mas o Sr. Yohoo estava muito satisfeito com a compra e, uma dia entrou no ônibus calcando esses sapatos. Na época, ainda reinava muita dificuldade no abastecimento alimentar da população, e, no ônibus lotado, estava um homem usando sapatos militares, carregando uma pesada sacola. Quando o veículo deu uma sacolejada, o homem cambaleou e pisou fortemente no sapato novo de verniz do Sr. Yokoo.
No momento, o Sr. Yokoo ficou furioso. Mas logo se lembrou do ensinamento da Seicho-no-ie e achou que deveria agradecer em qualquer circunstância. No fundo, ainda havia irritação que protestava dizendo:- Mas agradecer até num momento como este?
Mesmo a contragosto, o Sr. Yokoo berrou para o homem:- Muito obrigado!
Os passageiros ao redor levantaram-se espantados, pensando ter irrompido algo inesperado, mas o homem permaneceu calado. Então, o Sr. Yokoo berrou de novo:
- Muito obrigado!
O ônibus parou, de repente, como que assustado. Todos os passageiros acabaram se levantando. Nisso, o homem de calçado militar começou a gritar:
- Perdoe-me! Perdoe-me! Estou em apuros e, a custo, fui penhorar o meu casaco e, com o dinheiro, fui comprar batatas. Sinto muito ter estragado o seu belo sapato, mas estou sem um centavo. Não posso fazer nada. Perdoe-me! Dizendo isso, enxugou as lágrimas com a mão.
Nisso, o Sr. Yokoo retirou trezentos ienes do seu bolso e, entregando-os ao homem, disse:
- Muito obrigado, muito obrigado. Leve esse dinheiro e use para comprar algo de que estiver precisando.
Repentinamente, nesse momento, uma tempestade de amor varreu os passageiros do ônibus, e todos correram a dar algum dinheiro para o homem, até o cobrador, juntando-se, num instante, cerca de três mil ienes.
O Sr. Yokoo voltou triunfante para casa e mostrou à esposa o sapato de verniz todo amassado e sujo de barro. Ela disse:
- Está vendo? Eu não disse?
Mas, quando o Sr. Yokoo explicou todo o ocorrido, dizendo que dera 300 ienes a quem havia estragado o seu sapato, a esposa exclamou, com lágrimas nos olhos:
- Como você é maravilhoso!
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